Continuação...
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Medo da dor
Quanto mais tempo as fezes ficam retidas, mais crescem e endurecem, causando dor na hora de sair. Para evitar a dor, a criança segura mais o cocô. Foi nessa "armadilha" que a pequena Júlia caiu, explica a mãe Beatricce Bruno. "Desde pequena, ela ficava com as bochechas vermelhas de tanto esforço para evacuar. Uma vez, de tanto fazer força, acabou machucando o ânus e, com medo da dor, foi ficando mais travada. Levei ao médico, mas ela não tinha nenhum distúrbio intestinal. Aí, acho que só de esclarecer o problema, a gente relaxou e, aos poucos, a Júlia foi perdendo o medo. Fazer cocô não é mais 'uma coisa horrível', como ela dizia", conta a mãe.
A preocupação excessiva dos pais com o ritmo de evacuação do filho, muito rigor nos padrões higiênicos - que leva a criança a esconder o cocô porque é sujo, já que sujeiras não são permitidas na casa - ou pressa na hora de tirar as fraldas também podem levar à obstipação intestinal.
Sob pressão
Em todos esses casos, os pequenos se sentem sob pressão e tendem a segurar o cocô para se rebelar contra as regras ou expectativas dos pais.
Quando a mãe de Hanna, de 2 anos, tentou subs-tituir de vez as fraldas da filha pelo penico, a menina ficou dias sem evacuar, exigindo as fraldas de volta. "Achei que era hora, porque ela já usa a privadinha para fazer xixi, mas o cocô só vem com a fralda. Forcei a barra por 3 dias, com historinhas e revistinhas para distrair e até massagens na barriga. Foram 3 dias sem cocô, até que eu resolvi ceder", conta a mãe Neliana Olegário Heyde.
É comum que pais e mães fiquem ansiosos para ver o filho livre das fraldas. Esse é um grande passo no desenvolvimento infantil, além de um alívio nos cuidados com a criança. Mas ela só faz isso quando está madura, neurológica e emocionalmente. Os pais só podem aguardar e devem, principalmente, evitar que o cocô vire um acontecimento familiar. Porque cada um que fica sabendo da história dará uma opinião, indicará um caminho a seguir, criando um clima de ansiedade na família, que deixa a criança insegura, sem saber o que fazer com seu cocô. É que ele é percebido como um pertence do qual ela pode ou não querer abrir mão. Se os pais valorizam demais, as fezes se tornam um instrumento de poder para a criança chamar a atenção sobre si. Melhor é fazê-la entender, com conversas tranqüilas e carinhosas, que evacuar é importante para ela e não para os outros.
Sem laxantes
Alimentação também ajuda a soltar intestinos presos. Foi o remédio que Ana Maria Mantovanelli, mãe de Marta, de 2 anos e meio, usou para ajudar a filha a fazer cocô. "Uma vez, depois de dias sem ir ao banheiro, suas fezes saíram com sangue. Fiquei desesperada, pensando em alguma doença grave, mas só alguns vasinhos tinham se rompido com a força que ela fez", conta a mãe que, por orientação do pediatra, passou a reforçar o cardápio da filha com fibras, frutas e verduras.
Já o uso de laxantes, naturais ou não, usados sem orientação médica, é condenado. Podem até causar lesões no intestino, além de deixá-lo ainda mais preguiçoso, dificultando o estabelecimento de um ritmo de evacuação natural.
Comentem aí! Até a Próxima
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